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avoir eu à sa disposition les ouvrages manuscrits de différentes Bibliothéques, il fournit une foule de détails précieux ignorés des autres biographes. La Bibliothéque Lusitanienne n'est pas assez fréquemment consultée, et il serait à souhaiter qu'elle guidat plus souvent les biographes français, quand il s'agit du Portugal. Barbosa a cependant adopté un plan qui ne rend pas son ouvrage aussi commode que nos dictionnaires historiques, surtout pour les étrangers; au lieu de procéder par ordre alphabétique, en désignant les noms de famille, il commence par la longue suite de noms de baptême de chaque écrivain; il est vrai que le biographe à la fin de son immense ouvrage a offert une espèce de compensation à ce système fatigant, en formant des listes d'auteurs, selon le genre de Littérature auquel ils appartiennent; de cette manière, ou peut embrasser d'un coup d'oeil les poètes, les polygraphes; malheureusement ce travail est fort incomplet, puisque le numéro de la page ou il est traité de chaque écrivain ne se trouve point indiqué. » (Résumé de l’Histoire Littéraire de Portugal.)

O insigne Paschoal José de Mello, fazendo aliás o devido elogio ao Author da Bibliotheca Lusitana, termina comtudo assim: deinde eo vitio laborat (dicam fidenter quod sentio, id que fatentur Litterati omnes) quod Scriptores omnes promiscue, et sine delectu laudat, quod non nullos indignos, qui nominentur, refert, et quod omnibus, summis pariter atque infimis, pares laudes allribuit. Hist. Jur. Civ. Lus. Cap. 12. S 113. 2.' nota.

DICCIONARIO DA Lingua PORTUGUEZA — publicado pela Academia Real das Sciencias. Lisboa. 1793.

Citâmos esta Obra importantissima, não obstante tratarmos da Historia Litteraria, por isso que alli se encontra um erudito e curiosissimo Catalogo de Authores Portuguezes, que se lêrão,

que se tomárão as authoridades para a composição do mesmo Diccionario. Este precioso Catalogo, que deve considerar-se como um supplemento a Bibliotheca, trata mais das Lettras e Sciencias dos Authores, do que de suas vidas e acções particulares, e ainda

, com mais especialidade se occupa do tocante á pureza e elegancia da Lingua Portugueza. Como curiosidade da nossa Historia Litteraria, permitta-se que aqui transcrevamos o que a respeito da composição do Diccionario disse, em Sessão de 22 de Janeiro de 1843, o illustre Secretario perpetuo da Academia, o Sr. Joaquim José da Costa de Macedo: «Tres homens commetteram a em

e de

á

« preza, que occupou na França, por espaço de quarenta annos, «quarenta homens para ella pensionados; e a Academia imprimiu, «em 1793, o 1.o volume do Diccionario da Lingua Portugueza, «caja vastidão colossal não teve prototypo, nem imitador, e que, a segundo a opinião dos Sabios estrangeiros e nacionaes, que teem « voto na materia, é um dos maiores monumentos da nossa Lit« teratura. Tres homens sós o concluirão, e tal foi a generosi«dade de sua briosa dedicação ao serviço da Acadernia, que até

« The fizerão o sacrificio da gloria que podião alcançar por suas , «tarefas, não querendo que a Nação soubesse a quem devia um

« trabalho que se publicava em nome da Academia. Tres homens asós, que por premio se contentarão com um exemplar do Dic« cionario, como recebeu qualquer outro Socio; e dois dos quaes « (os Srs. Agostinho José da Costa de Macedo, e Bartholomeu Igna«cio Jorge) cegaram, em consequencia das fadigas insanas com que a um capricho fatal os fez levar ao cabo o proposito que tanto « havião tomado a peito; e o outro (o Sr. Pedro José da « Fonseca), a quem se deve o primeiro pensamento d'esta «grande Obra, para não perecer á mingua, nos ultimos annos «de sua vida, foi necessario que a Academia o soccorresse, a a titulo de compra de alguns livros, por não offender o seu me«lindre.»

Quantas e quão amargas reflexões não suscitão estas poucas, mas bem significativas palavras!

Mais adiante farei novamente menção d'este Escripto, quando indicar os trabalhos bibliographicos, e quando depois tratar da Critica Litteraria.

-BOSQUEJO DA HISTORIA DA POESIA E LINGUA PORTUGUEZA -pelo Sr. João Baptista Leitão de Almeida Garreti.

Ao lêr este precioso trabalho de um dos mais talentosos Litteratos de Portugal, acode logo ao pensamento o Elogio de Plutarcho, por Thomas:— «Évoque devant moi les grands hommes,

: je veux les voir et converser avec eux, etc.) — 0 Sr. Garrett, depois de algumas considerações sobre a nossa Lingua, começa a fazer desfilar ante o Leitor os grandes vultos dos nossos Poetas, e do modo mais energico e imaginoso nol-os dá a conhecer, apresentando-nos uma luminosa noticia das suas producções, as quaes avalia com a mais fina, atilada e judiciosa critica.

Terei occasião de mencionar novamente o Bosquejo, quando Tratar da Critica Litteraria.

-BOSQUEJO HISTORICO DE LITTERATURA CLASSICA Grega, LATINA E PORTUGUEZA, para uso das Escholas — pelo Sr. A. C. Borges de Figueiredo. 1844.

O Sr. Figueiredo, considerando a Historia Litteraria como um dos poderosos meios de apurar o gosto da mocidade dedicada ás Lettras, inspirando-lhe, com a admiração dos modelos, o desejo de os estudar directamente, reconheceu a indispensabilidade de um livro elementar d'esta disciplina, e deu-se ao louvavel trabalho de traçar o Bosquejo.—He pois este livro uma obra elementar, e por esse motivo muito resumido. Sobresahem todavia n’esta recommendavel producção o methodo, a clareza de exposição, e a segurança de boa doutrina. (Deve notar-se que mencionamos esta Obra unicamente a respeito da parte em que trata da Litteratura Classica Portugueza.)

NOTICIA SUCCINTA DOS MONUMENTOS DA LINGUA LATINA, E DOS SUBSIDIOS NECESSARIOS PARA O ESTUDO DA MESMApor José Vicente Gomes de Moura. Coimbra. 1823.

Com quanto esta riquissima Obra tenha por assumpto especial a Litteratura Latina, encerra todavia bastantes elementos, que podem ser aproveitados para a nossa Historia Litteraria, como por exemplo, interessantes noticias sobre os Latinistas Portuguezes, sobre os Diccionarios Latinos-Portuguezes, e Portuguezes-Latinos, sobre os Grammaticos Portuguežes, afóra um grande numero de bons principios sobre a Litteratura em geral.

Mais de uma vez terei occasião de commemorar esta interessantissima obra.

MEMORIA SOBRE O THEATRO PORTUGUEZ — por Francisco Manoel Trigoso de Aragão Moralo.

Esta Memoria he digna do seu illustre Author, e contém mui judiciosas e apuradas noticias sobre a historia da nossa Litteratura Dramatica. —Nos primeiros quatro seculos da Monarchia não se encontrão vestigios de Theatro Portuguez. O primeiro trabalho, verdadeiramente dramatico, data do anno de 1502, e é composição do famoso Gil Vicente.-0 Sr. Trigoso concede aos estrangeiros a prioridade dos seus Theatros nacionaes, com tanto que se lhe conceda que os primeiros, que entre elles promovêrão este ramo de Litteratura, não tiverão uma influencia duradoura nos Authores dramaticos das suas, ou das

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estranhas Nações, como succedeu ao nosso Gil Vicente, o qual, não só foi admirado e applaudido dos contemporaneos, mas fixou o gosto e interesse publico pelas representações dramaticas, mostrou á Europa a insufficiencia das traducções e imitações servis dos antigos Gregos e Romanos, estabeleceu um Theatro Nacional, e foi o Mestre de cuja Eschola sahio Lope de la Vega.

-MEMORIA SOBRE O ESTABELECIMENTO DA ARCADIA DE LISBOA, E SOBRE A SUA INFLUENCIA NA RESTAURAÇÃO DA NOSSA LITTERATURA — por Francisco Manoel Trigoso do Aragão Moralo.

Não tinha sido possivel destruir, ainda no espaço de mais de um seculo depois da restauração de Portugal, o pernicioso gongorismo. Eis que no anno de 1756 se alevanta a Arcadia, Sociedade Litteraria, que se propoz a formar uma Eschola de bons dictames e de bons exemplos em materia de eloquencia e de poesia, que servisse de modelo aos mancebos estudiosos, e diffundisse por toda a Nação o ardor de restaurar a antiga belleza d'estas esquecidas Artes. — Esta memoravel Sociedade tomou o nome de uma das Provincias da Grecia antiga, mais afamada pela Poesia e pela Musica, a Arcadia : chamou Monte Menalo o logar das suas conferencias; cada um dos seus Socios, na qualidade de Arcade, adoptou um nome pastoril; tomou por empreza um meio braço, pegando em um podão, com a epigraphe «inutilia truncat»; e finalmente sujeitou-se ás disposições de prudentes e bem traçados Estatutos. - Os mais illustres dos Arcades forão os seguintes: Antonio Diniz da Cruz e Silva (Elpino Nonacriense); Pedro Antonio Corrêa Garção (Coridão Erimantheu); Francisco José Freire (Candido Lusitano); Manoel Nicolau Esteves Negrão (Almeno Sincero); Domingos dos Reis Quita (Alcino Micenio).-Lamentámos não poder acompanhar o sabio Author d'esta Memoria em toda a sua luminosa exposição; cumpre-nos, porém, recommendar a sua leitura, como fornecendo interessantes noticias para a nossa Historia Litteraria.

-Memoria com o titulo: DAS ORIGENS E PROGRESSOS DA POESIA PORTUGUEZA — por Antonio Ribeiro dos Santos.

Trata primeiramente da introducção do uso da poesia na Hespanha primitiva, e particularmente na Lusitania, e por esta occasião menciona a memoria honrosa que, no tracto das bellas-artes, deixárão de si os turdetanos e os callaicos, descendentes dos celtas, e herdeiros do gosto de poetar, assim como dos exer ci

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cios da musica e da dança, em que os celtas sobresahião; sendo, porém de notar que d'esses primitivos tempos não ficou à posteridade, nem monumento algum da sua poesia, nem memoria do nome de alguns de seus poetas.— Trata depois do uso da poesia hespanhola nos tempos da dominação dos romanos, dos wisigodos, dos arabes, em cujo periodo muito florecerão os exercicios poeticos, embora não chegasse até nós monumento algum da poesia dos nossos maiores, salvo algumas composições metricas no latim barbaro d'aquella edade. — Tratando finalmente da poesia portugueza nos seculos XII e XIII, 0 Author não fixa ao certo a sua primeira epocha, mas conjectura que a poesia começou logo de figurar nos primeiros tempos da monarchia, isto hé, no meado do seculo xii, contribuindo muito, no seu conceito, para que Portugal désse logar e honra á cultura da poesia, o exemplo que nos havia ficado dos arabes, o de differentes nações e provincias d'aquelle tempo, como a Allemanha, a Catalunha, Valencia e Aragão, a Provença e provincias meridionaes da França, e particularmente o maior trato e communicação que mantivemos com a Galliza, affeita desde a mais alta antiguidade ao exercicio de trovas e cantares.

Temos tambem duas Memorias: a primeira SOBRE AS ORIGENS DA TYPOGRAPHIA EM PORTUGAL NO SECULO XV., e a segunda SOBRE A HISTORIA DA MESMA NO SECULO XVI— por Antonio Ribeiro dos Santos.

Entra na esphera da historia litteraria de qualquer paiz a noticia da introducção e progressos da Typographia; e por isso houvemos por conveniente fazer honrosa menção d'estas duas Memorias, que tendem a esclarecer uma parte muito interessante dos annaes das nossas lettras. -0 Author tem por muito provavel que foi Portugal das primeiras provincias, fóra de Hollanda e Hespanha, que receberão a arte typographica, podendo datar-se a sua entrada no nosso Reino pelos annos de 1464. ou 1465.- Menciona o Author os diversos generos da typographia, que entre nós houve nos seculos xv e xvi; as cidades em que se estabelecerão officinas typographicas; os impressores estranhos e nacionaes que então tivemos; as obras que sabírão d'esses prelos; o merecimento typographico das edições de Portugal, ornato, divisas ou marcas, ou cisras dos impressores. Cre-se que a cidade de Leiria não só tivera officina typographica, antes mesmo que a capital do Reino, mas fôra a primeira

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