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=«D. Franciscus Emmanuel de Mello, Olisiponensis, nobili loco natus, eques Ordinis cui a Christo nomen, Conimbricæ olim data studiis liberalibus humanis que omnibus disciplinis sedula opera, Martem Palladi succedere fecit in Belgium-se transferens, ubi militiæ aliquot impensis annis creari tandem meruit legionis tribunus. Abripuit inde eum turbo patriæ rebellionis, et in Lusitaniam reversus non diu post, nescio cujus criminis suspicionem purgaturus, post plures carceris annos, inter spem et metum transactos, in Brasilia Occidentalium Indorum peregrinari aliquot aliis fuit constrictus. Nec tandem restitutus propitiam adhuc potuit adipisci eorum voluntatem qui reipublicæ tunc insidebant, qnare aggregatus Catharinæ Brigantinæ, Caroli Angliæ Regis ir destinatæ sponsæ, ingenii et urbanitatis dotibus insinuavit se in Reginæ gratiam, cujus, sive alia negotia gesturus, anno 1654. Romam accessit: qua in urbe, edidit ex multiplicis doctrinæ variæque litteraturæ operibus sacris, profanis, prosaicis, metricis, elegantissimis et ingeniosissimis primum volumen, hoc titulo et partibus: (Aqui começa a dar uma noticia das Obras de D. Francisco Manoel de Mello, a qual omittimos por ser menos completa). Sed virum longiore vita dignum abripuit mors Olisipone 13 die Octob. 1666.»

Transcrevemos este artigo, unicamente para dar a alguns dos nossos Leitores uma tal ou qual idea do teor da Bibliotheca de Nicolao Antonio, e para os advertir praticamente de que tambem a Litteratura portugueza alli he representada.

Para supprir a deficiencia do mesmo artigo, consagrado como he á memoria de um dos mais distinctos escriptores de Portugal, he indispensavel recorrer á Bibliotheca Lusitana, e especialmente ao Panorama do anno de 1840, onde forão publicados dois excellentes artigos, biographicos e criticos, acerca de D. Francisco Manoel de Mello, e são na verdade uma fonte abundante de apuradas noticias, ácerca de um homem tão celebre, e de um escriptor tão recommendavel.—Veja-se tambem Mémoires historiques, etc. do Cavalheiro d'Oliveir', tomo 2.o, pag. 343 a 352.

-ORIGEM E PROGRESSOS DAS LINGUAS ORIENTAES NA CONGREGAÇÃO DA TERCEIRA ORDEM DE PORTUGAL — por Fr. Vicente Salgado, Chronista da mesma Congregação. Lisboa. 1790.

O Author deduz as noticias desde o principio do seculo xv até ao anno de 1750, em que os estudos das Linguas Orientaes forão renovados; e ultimamente refere o que succedeu, n'este particular, desde 1750 até á epocha em que escreveu.

Logo nos primeiros tempos dos nossos descobrimentos maritimos, e successivamente até á epocha do nosso maior poder nas Conquistas, apparecem Religiosos da Congregação da Terceira Ordem de Portugal, e tambem de outras Ordens, que forão bons companheiros n'aquelles trabalhos, levando a palavra Evangelica á Africa, e á Asia, para o que, ou hião já munidos do conhecimento das Linguas Orientaes, ou se adestravão no manejo d'aquellas que especialmente se fallavão em determinadas regiões.

Nas Linguas Grega, Arabica, e Hebraica encontra o Author, logo no fim do seculo xv, alguns Religiosos que dérão mostras de grande applicação e proficiencia.

«Depois que de París se recolherão ao Reino, Pedro Henriques, e Gonçalo Alvares (diz o Author), sabios não somente no Grego, mas tambem no Hebraico, e sendo nomeados por El Rei D. João III para a Reforma da Universidade de Coimbra em 1537, com o Doutor Fabricio, Mestre de Grego, o Doutor Roserto do Hebraico, Bachanano, Antonio Mendes, e outros muitos instruidos nas ditas Linguas Orientaes, fazião tanto progresso os nossos patriotas, assim Seculares, como Regulares, que o mesmo Clenardo, visitando aquella Universidade, se admirou, parecendo-lhe ter revivido outra Athenas.>>

Menciona o Author os Religiosos da sua Congregação, que se aproveitárão dos exemplos e instrucção de tão sabios Mestres. O primeiro que se distinguiu n'esta epocha foi o Provincial Fr. Pedro do Espirito Santo, ao qual chamárão por antonomasia o Grego. O exemplo do Provincial despertou a curiosidade nos subditos, muitos dos quaes se distinguirão depois no estudo d'aquelle idioma. O mesmo Provincial se applicou tambem muito seriamente ao Hebraico.

«O Ajax de Sophocles do Dr. Fr. Angelo da Cruz, Procurador que foi d'esta Corporação em Roma, ainda se conserva sem cousa mais importante que os significados proprios das palavras, e raizes mais difficultosas, escriptas pela sua letra.»

No principio do seculo xvii distinguiu-se, como grande Helenista, Fr. Valentim Feo, que tambem foi Provincial d'esta Congregação.

Na Lingua Arabica foi instruido o Capellão Mór do Exercito, na infausta jornada de D. Sebastião, Fr. Bernardo da Cruz.

O Provincial Fr. Luiz de Figueiredo não só sabia o Arabico, mas tambem o Hebraico: deixou um Commentario sobre as Epistolas.de S. João, que abona os seus conhecimentos hebraicos.

Fr. Luiz de Figueiredo, Procurador Geral da Provincia em Valhadolid, tomou parte em controversias sobre textos hebraicos.

No seculo xvi houve notavel applicação ao Hebraico, distioguindo-se o Provincial Fr. Marcos da Trindade. Depois dos sabios Azambuja, Foreiro, Pinto, o Bispo Soares e outros, concorreu grandemente para sustentar este genero de erudição o famoso Bispo D. Jeronymo Osorio; mas depois de 1578 declinárão sensivelmente os estudos, e as boas lettras esmorecerão.

Prosegue o author na colheita de noticias até ao anno de 1750, em que o grande Cenaculo vai assistir ao Capitulo Geral em Roma, presidido por Benedicto Xiv.–Cenaculo, em voltando d'aquella digressão, apaixona-se pelo estudo das Linguas Orientaes, e consegue communicar o seu enthusiasmo a um grande numero de Religiosos da sua Congregação.

Em 1759 manda ElRei D. José abrir aulas publicas da Lingua Grega, e confia aos Prelados de algumas. Ordens Religiosas o cuidado de promoverem o estudo da Lingua Hebraica.

Por Alvará de 3 de Junho de 1769 he approvado um novo plano de Estudos para a Congregação da Terceira Ordem de Portugal.

Em 1770 sahem as Instituições para o Noviciado de Lisboa, feitas por Cenaculo. Não esquecem as Linguas Orientaes; Fr. João do Apocalypse ensina o Grego, e tornão-se notaveis n'essa disciplina Fr. Diogo de Santa , Thereza, e Fr. Domingos de Santa Isabel.

Em 1768 tinha vindo a Lisboa Abrahão Ben Isai, o qual começou a ensinar o Hebraico e Chaldaico ao Mestre Fr. Elzeario Lobo, e o Arabico a Fr. João Baptista de Santa Thereza.

Distinguiu-se no Hebraico o Mestre Fr. Francisco da Paz.

Por esses tempos veiu a Lisboa o Vigario Geral de Antiochia, D. José Maron, o qual fallava o Arabico e Syriaco, e muito adiantou a instrucção dos Religiosos.

Mais tarde veiu tambem a esta Capital o Maronita D. Paulo Hodar, muito habil e sabio nas Linguas Hebraica, Chaldaica, Syriaca e Arabica, o qual, graças igualmente ás diligencias do grande Cenaculo, foi aproveitado para o ensino d'aquelles idiomas.

A acceitação, para Religioso, do Padre Fr. João de Sousa, nalural de Damasco, concorreu muito para o estudo do Arabico.

Na Congregação da Terceira Ordem foi o grande Cenaculo a alma e o desvelado promotor do ensino e progressos das Linguas Orientaes; tambem outras Congregações vierão beber n’aquella a instrucção; e habeis Mestres, e distinctos discipulos apparecêrão n'aquellas disciplinas.

Eis, muito em resumo, uma idéa do trabalho de Salgado. Ainda quando o erutido author, cujo methodo e estylo não podemos aliàs inculcar para modelo, não dissesse cousas muito valiosas sobre o estudo, ensino, e progressos das Linguas Orientaes em Portugal, -sería, assim mesmo, interessante o seu opusculo, pelas noticias biographico-litterarias que nos transmitte acerca do grande Cenaculo.

Vej. os seguintes Escriptos:
COMPENDIO HISTORICO DA CONGREGAÇÃO DA TERCEIRA

ORDEM — por Fr. Vicente Salgado. Lisboa. 1793.
No fim do Compendio vem um Cathalogo dos Prelados
Maiores, que regêrão aquella Congregação até ao anno em que
escreveu Salgado.

MEMORIAS HISTORICAS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

por Francisco Leitào Ferreira- pag. 545. CONCLUSÕES DA HISTORJA DA PHILOSOPHIA — Impressas em

Coimbra no apno de 1751. São de Cenaculo. INSTRUCÇÕES PARA OS PROFESSORES DE GRAMMATICA LATINA,

GREGO, HEBRAICO, E RHETORICA — de 28 de Junho de 1759.

PLANO DE ESTUDOS DA PROVINCIA DE PORTUGAL-Lisboa.

1769.

CONCLUSÕES DA GRAMMATICA HEBRAICA, E ARABICA — Im

pressas em 1773..

ACADEMIA CELEBRADA PELOS RELIGIOSOS DA ORDEM TER

CEIRA DE S. FRANCISCO DO CONVENTO DE Nossa SENHORA
DE JESUS DE LISBOA, NO DIA DA SOLEMNE INAUGURAÇÃO
DA ESTATUA EQUESTRE DE EUREI D. José 1.---Lisboa.

MEMORIA DO COMEÇO, PROGRESSOS, E DECADENGIA DA LITTE

RATURA GREGA EM PORTUGAL, DESDE O ESTABELECIMENTO DA MONARCILIA ATÉ AO REINADO DO S nuor D. JOSÉ I por Fr. Fortunato de S. Boaventura.

MEMORIA SOBRE O COMÊÇO, PROGRESSOS, E DECADENCIA DA

LITTERATURA HEBRAICA ENTRE OS PORTUGUEZÉs Catho-
Licos ROMANOS, DESDE A FUNDAÇÃO D’ESTE REIXO ATÉ
AO REINADO DE ELRei D. José 1–por Fr. Fortunato

de S. Boaventura. D'estas duas ultimas Memorias faremos especial menção no Capitulo 3.° d'esta Obra.

- DISSERTAÇÃO HISTORICA E CRITICA, QUE PARA APURAR O CATHALOGO DOS CHRONISTAS MÓRES DO REINO E ULTRAÑAR ESCREVEU - Fr. Janoel de Figueiredo. 1789. Darei aqui a indicação do resultado a que chega o Author:

- Chronistas Móres na Lingua Portugueza, a respeito dos quaes não ha duvida.

Fernão Lopes. Começou a servir em 1434. Teve Carta em 1449;-Gomes Eannes de Azurára, Carta em 1459; Vasco Fernandes de Lucena, 1484; Rui de Pina, 1497; Fernando de Pina, 1525; D. Antonio Pinheiro, 1550; Francisco d'Andrade, 1593; Fr. Bernardo de Brito, 1614; João Baptista Lavanha, 1618; D. Manoel de Menezes, 1625; Fr. Antonio Brandão, 1644; Fr. Rafael de Jesus, 1682; José de Faria, 1695; Fr. Bernardo de Castello Branco, 1709; Fr. Manoel dos Santos, 1726; Fr. Manoel da Rocha, 1740; Fr. Antonio Botelho, 1745; Fr. José da Costa, 1747; Fr. Antonio Caldeira, 1755; Fr. Antonio da Matta, nomeado pela Senhora D. Maria 1.

-Duvidosos, na Lingua Portugueza:

João Camelo; D. Pedro Alfarde, e mais Priores Claustraes de Santa Cruz de Coimbra, até 1460; Alvaro Gonçalves de Caceres; Duarte Galvão; Damião de Goes; Antonio de Castilho.

-Chronistas, na Lingua Latina:

Fr. Francisco de Santo Agostinho Macedo, 1650; o Padre Antonio dos Reis, 1726; o Padre Estacio d'Almeida, 1738; o Padre Joaquim de Foyos, no reinado da Senhora D. Maria 1. (João Baptista de Castro diz que fóra Diogo Mendes de Vasconcellos o i.° Chronista de Portugal na Lingua Latina.)

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