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Italienne.
Française.
Espagnole.
Portugaise.
Valaque.

Seguem-se agora mais tres familias: - Langues germaniques -langues slaves — langues ouraliennes; das quaes não apresentamos o desenvolvimento, porque não fazem ao nosso caso.Veja-se tambem sobre esta divisão ethnographica o Allas histor. et chron. des Littér. anciennes et mod. par A. Jarry de Mancy. (Este Atlas he feito segundo o modelo do de Lesage (Comte de Las Cases), muito mais desenvolvido, porém, no que toca a Linguistica). Veja-se tambem Malte Brun, e o mesmo Balbi, nos tratados de geographia,

O Sanskrit. Como seja opinião geralmente recebida, que o sanskrit, ou um idioma mais antigo que o gerou, he a fonte primitiva do latim, e de outras linguas; temos por conveniente dar aos curiosos uma noticia resumida acerca desta lingua. -Os Indios chamão-lhe sanskrita, que tanto val como perfeito, acabado. Se esta lingua foi fallada na India em tempos muito remotos, como alguns querem, he todavia certo que ha muitos seculos se não falla, e he hoje aprendida pelos Brahmanes e pelos Indios mais instruidos, do mesmo modo que entre nós se aprende o latim e o grego, como lingua religiosa, das leis, de um grande numero de livros, e reservada pelos Brahmanes de hoje para assumptos da litteratura mais elevada. Sobre a perfeição grammatical desta lingua, transcreveremos aqui as proprias palavras de M. Balbi: «Le « sanskrit a trois genres, huit cas et trois nombres; la conjugai« son y est très régulière et se fait presque toujours sans le se« cours des verbes auxiliaires; elle a six modes, savoir: l'indi« catif, l'optatif ou subjonctif, l'impératif, le précatif, le condi« tionnel et l'infinitif; l'indicatif a trois présent et deux futurs; « les autres modes n'ont que le temps présent. Le sanskrit ex« prime les rapports des noms par des désinences. Sa construaction est aussi libre que celle du latin. Cette langue abonde en « particules de toute espèce: elle a une grande quantité de mots a composés, et possède la faculté d'en former à plaisir autant « que le grec et l'allemand.» No conceito do sabio William Jones he esta lingua mais perfeita do que a grega, mais rica do que a latina, e mais polida do que ambas. As qualidades que a distinguem são as seguintes: sonora, grave, doce e muito concisa-a sua grammatica he a mais regular de todas, offerecendo mui poucas anomalías nas suas regras.

Os livros mais antigos em sanskrit são os que se seguem: os Vedas, subdivididos em 18 vídjas, ou partes, abrangendo todos os ramos dos conhecimentos humanos desde a theologia até á musica; as Leis de Menou, ou o codigo civil e religioso dos Indios; o Mahabharata e o Ramayana, poemas epicos.

O alphabeto sanskrit, chamado Dewanagari, he composto de 52 lettras, ás quaes ha ainda que accrescentar um grande numero de

grupos. A maior confusão domina ainda, diz M. Klaproth, nos alphabetos europeus. Não se acha nelles o seguimento natural das consoantes, sem que possão descobrir-se as relações respectivas das consoantes produzidas pelo mesmo orgão, nem a propriedade que ellas tem de se substituir mutuamente. Esta propriedade da logar a uma infinidade de variações, ás quaes difficilmente nos habituamos, em consequencia da irregularidade dos nossos alphabetos, que nenhuma relação tem com as linguas a que pertencem. Pelo contrario, o alphabeto do sanskrit he, pela sua bem ordenada disposição, muito mais philosophico, sem comtudo o podermos considerar como de todo ponto perfeito.

Sobre a antiguidade deste idioma, ouçamos tambem M. Klaproth: «A perfeição grammatical deste idioma levou os seus admiradores a consideral-o como muito antigo, mas he de crer que essa opinião de grande antiguidade venha a soffrer quebra, desde que for examinado mais maduramente, e se houverem recolhido esclarecimentos que ainda faltão para bem resolver uma tão delicada questão. Em quanto ao mais, não parece provavel que o sanskrit fosse em tempo algum fallado; e a opinião de que este idioma he um aperfeiçoamento da lingua dos conquistadores indo-germanicos, he muito mais verosimil do

que

de ser a primitiva origem das linguas actuaes do Indostão, do grego, do latim, do slavo, e de outras da mesma familia. Em todo o caso, porém, a antiguidade do sanskrit remonta ao periodo da nossa era, ou talvez mais acima.»

Devêramos talvez dar a este ponto especial (sanskrit) muito

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1 Veja o artigo Langues, já citado, e ahi se encontrará uma luminosa exposição das series de lettras e de grupos de lettras do sans

guida de observações e exemplos sobre o aperfeiçoamento de que carece aquelle alphabeto, que ainda assim, tal qual he, lera vantagem aos alphabetos europeus.

maior desenvolvimento, como assumpto de grande importancia; mas nem queremos alongar muito a nossa escriptura, nem convém, segundo o genero do nosso trabalho, apresentar mais do que breves apontamentos, ou antes indicações.

Definições. Lingua-Idioma-Dialecto— EthnographiaAutochtono-Nomada-Nação. - Lingua tem uma accepção mais lata, muito mais extensa e geral do que idioma, e muito mais ainda do que dialecto. No entanto, nos tratados de linguistica encontrão-se pela maior parte como synonimos os dois termos lingua e idioma, e perfeitamente distincto o termo dialecto, tal qual o definimos já.- A palavra Ethnographia devêra ser empregada para designar a sciencia que tem por fim a classificação dos povos; serve comtudo para exprimir a sciencia que se destina a apresentar a classificação das linguas, e talvez pelo motivo de se regular, ordinariamente, a differença dos povos pela das linguas que fallão. O termo linguistica foi tomado dos philosophos allemães, e he na verdade muito expressivo e proprio, mas não tem sido adoptado por todos os sabios; o termo glossographia parece não ter sido desviado da sua significação litteral e obvia; e finalmente o termo idiomographia, proposto por Malte-Brun, não tem sido adoptado. Aulochtono devêra exprimir uma idea de creação, mas, seguindo o exemplo do sabio Humboldt, os ethnographos chamão autochtono ao povo, a respeito do qual se ignora que outro o haja precedido. — Nomada devêra exclusivamente referir-se aos povos pastores, como os cafres, e outros, mas encontrar-se-ha nos tratados de ethnographia como synonimo de errante. - Nação. Este termo pode ser tomado debaixo de tres pontos de vista,historico ou politico, geographico e ethnographico. No 1.o caso, considerão-se como nações distinctas aquellas que formão no seu todo um corpo politico independente, assim por exemplo chamamos inglezes a todos os habitantes das Ilhas Britannicas, não obstante a differença de origem dos irlandezes, escocezes, e welches ou do paiz de Galles. No 2.o caso dá-se o nome de nação aos habitantes de uma região, que tem limites naturaes, independentemente das divisões politicas e das linguas differentes que fallão. No 3.o caso, o termo nação applica-se aos habitantes de um paiz qualquer, que fallão a mesma lingua e os seus diversos dialectos, independentemente das grandes distancias que os separão, da differença dos corpos politicos a que pertencem, e do estado diverso de civilisação em que se achão. He neste ultimo

sentido

que chamamos portuguezes aos descendentes dos colonos que para as differentes partes do globo enviámos desde o tempo dos nossos descobrimentos maritimos. (Veja-se a este respeito o Discours préliminaire, Introduction à l'Atlas de M. Balbi.)

Bibliographia.—Para não tornar muito extenso este artigo, não apresentamos o catalogo das obras, que podem ser consultadas sobre todas as questões relativas a origem, formação, e classificação das linguas; remettemos, porém, os leitores para Balbi, Introduction pag. 64 a 68; Klaproth, artigo Langues da Encyclopédie Moderne, no fim do artigo; o Sr. Alexandre Herculano, Panorama 14 de Dezembro de 1844, nota a pag. 393,onde, e principalmente em Balbi, se encontrarão apontadas as obras mais importantes sobre este assumpto.

Muito e muito haveria ainda que dizer a respeito da importantissima questão que nos tem occupado (filiação da nossa lingua); mas he já tempo de passarmos a outro assumpto,—tanto mais, quanto o que resumidamente deixámos apontado he bastante para se conhecer o modo por que a dita questão tem sido tratada, e quaes são os pontos que ainda carecem do desenvolvimento, em ordem a assentar-se uma doutrina corrente.

Vamos agora tratar da Lingua Portugueza, com referencia as linguas orientaes, e ás modernas da Europa, a fim de assignalarmos a herança que a nossa recolheu das primeiras, e a influencia que recebeu das segundas. Será este o objecto do capitulo immediato.

CAPITULO V.

DA HERANÇA DE VOCABULOS E PHRASES, QUE A LINGUA PORTUGUEZA RECEBEU

DAS LINGUAS ARABICA, ORIENTA ES E AFRICANAS.

His eu tratando das differentes questões relativas á nossa lingua, e havia já fallado das excellencias, louvores, independencia e filiação della. Passarei agora a tratar da herança dos vocabulos e phrases que diversas linguas lhe legárão, e depois fallarei da influencia que tem recebido das linguas modernas, ou antes, da lingua franceza.

As duas obras mais importantes que tenios acerca das lin

guas orientaes e africanas, incluindo a arabe, com referencia á portugueza, são as seguintes:

VESTIGIOS DA LINGUA ARABICA EM PORTUGAL, OU LEXICON

ETYMOLOGICO DAS PALAVRAS E NOMES PORTUGUEZES,
QUE TEM ORIGEM ARABICA, COMPOSTO POR ORDEM DA
ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA.- Por Fr.
João de Sousa — augmentado e annotado por Fr. José
de Santo Antonio Moura.-1830.

GLOSSARIO DE VOCABULOS PORTUGUEZES DERIVADOS DAS

LINGUAS ORIENTAES E AFRICANAS, EXCEPTO A ARABE.
Por D. Francisco de S. Luiz.—1835.

Começaremos, como he de rasão, pelos «Vestigios da lingua arabica.)

He incontestavel que da longa dominação dos mouros nas Hespanhas, resultou o ficarem nas linguas castelhana e portugueza, um grande numero de palavras arabes. Tot puræ arabicæ voces in Hispania reperiuntu", disse Scaligero, ut ex illis justum Lexicon confici possit. Foi este o motivo porque Fr. João de Sousa, socio da Academia Real das Sciencias, e interprete da lingua arabica, se deu ao trabalho de fazer a interessante collecção de que nos occupamos.

Para bem entrarmos na intelligencia do espirito e intenção que presidirão a este precioso trabalho, e a fim de avaliarmos o alcance que elle tem, he mister ponderar que Fr. João de Sousa tencionava ao principio restringir-se ás palavras arabicas que correm no uso vulgar. Este modo, porém, de tratar o assumpto era deficientissimo, por isso que ficavão assim excluidos um grande numero de termos, que se encontrão nas chronicas antigas deste reino, e nos documentos dos nossos archivos e cartorios; rasão porque o nosso author deu maior extensão ao seu Lexicon, ajuntando até as etymologias arabicas algumas hebraicas, persicas e de outras nações, mas só a respeito daquellas vozes que podião ser tomadas como arabicas, e não o são effectivamente.

Já antes deste philologo, outros etymologistas se havião occupado, mais ou menos, deste assumpto: Duarte Nunes de Leão, na «Origem da lingua portugueza,» Manoel de Faria e Sousa,

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