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ver-se em Denina, e em Romani (Dizzionario de sinonimi italiani) que diz assim: Donzello é il diminutivo di donno. Questo nome, equivalente al latino Dominus, significava anticamente signore; e percio il suo diminutivo donzello indicava un giovin signore. Não se pode asseverar que recebemos directamente dos gregos certos vocabulos que se não encontrão no latim, porque não temos todos os authores latinos para sabermos se os usárão. ¿Será, porém, verdade que os gregos, em tempos antiquissimos, fundárão colonias na Galliza e na Lusitania, e nos deixárão esses termos a que acabamos de alludir? Não ha fundamento para assim o crer. Donde nos virião pois esses vocabulos gregos que temos, e se não encontrão no latim? Ou do latim vulgar, sem terem sido empregados pelos escriptores, o que he plausivel, visto como são pela maior parte populares, v. g. patao, apito, lasca, lamuria, naco, etc., ou dos barbaros, em consequencia da communicação que por muitos seculos tiverão com os gregos do Baixo Imperio. O argumento da troca do b pelo v não tem força. Muitos povos fazem esta troca, principalmente os de origem celtica; em alguns dialectos não ha mesmo a letra v.

Vocabulos verdadeiramente latinos, mas introduzidos muito modernamente no portuguez.-São os escriptores que aperfeiçôão as linguas, e este difficil trabalho he obra de longos annos, e de continuas acquisições. Dando, porém, de barato que os escriptores do seculo xvi introduzissem 300 a 500 palavras latinas no portuguez... que he isto, em comparação de 30 a 40 mil, que tantas temos do latim?

Temos extractado o que de mais substancial encontramos na « Memoria » e na «Refutação.» A concisão era o nosso primeiro dever, porque d'outra sorte houveramos copiado, quando só queriainos fazer a resenha dos argumentos dos dous contendores. Escapárão pois bastantes considerações, e pontos de doutrina, que muito interessarião aos curiosos; promettemos, porém, supprir esta falta nos paragraphos que havemos de consagrar ao exame das questões ethnographicas, que se enlação com este assumpto.

Antes, porém, de passarmos adiante, temos por conforme a imparcialidade, que deve caracterisar o nosso trabalho, - 1.0 dar uma breve ideia dos argumentos, com que um author francez impugna a filiação latina da sua lingua; -2.° dar uma rapida noticia dos manuscriptos de Antonio Ribeiro dos Santos, que mais especialmente se referem a questão da origem da nossa lingua.

LES ÉLÉMENS PRIMITIFS DES LANGUES PAR L'ABBÉ BERGIER. Besançon. 1837.

O S 4.° da 6.* Dissertação trata da origem da lingua franceza; e de averiguar se ella descende do latim.

Empregaremos, quanto fôr compativel com o breve resumo que vamos dar, as proprias expressões do author, para não roubarmos aos seus argumentos a força que poderem ter.

Forão latinos os prégadores que estabelecerão a religião christā; e dahi vem que os termos francezes, relativos a religião, forão tirados da lingua latina.

Tambem não ha duvida em que os termos das sciencias e bellas artes são latinos.

Mas não são latinos os termos relativos ás artes mecanicas, á arte militar e á navegação; nem tão pouco o são os termos simplices, as ligações do discurso, as palavras que exprimem as cousas da primeira necessidade, ou os usos commuas da vida.

A syntaxe da lingua franceza nada tem de commum com a da latina; circumstancia ponderosa que torna bem suspeita a genealogia que pretende dar-se ao francez.

Crê-se que nos cinco seculos da dominação romana o latim absorveu completamente a linguagem das Gallias; mas, sem oppôr a essa opinião os monumentos historicos, como já fez M. Bullet, nas suas Memorias sobre a Lingua Celtica, apresenta M. Bergier a seguinte prova de facto em contrario: Ha quasi oitocentos annos que o francez começou a formar-se, e a ser fallado nas Gallias, sem que tenha supplantado o patois de diversas provincias, succedendo haver ainda em França muita gente que não sabe sequer quatro phrases francezas.—Logo, subsistião esses patois no tempo em que as pessoas polidas fallavão latim; logo o latim não fez em 500 annos o que o francez não pode fazer em oito ou nove seculos; logo, os camponezes fallão ainda a mesma algaravia, de que seus paes se servião antes da conquista dos Romanos e dos Francos.

Quando os grammaticos encontrão um termo francez semelhante a um latino, concluem immediatamente que o primeiro descende do segundo; mas fora mister provar, antes de tudo, que aquelle termo não se encontra em nenhum dos patois que se fallão em França.

da

grega. Seria

As colonias que povoárão a Italia são da mesma origem daquellas que vierão habitar as Gallias; tendo uma linguagem commum, veio esta a constituir a essencia da lingua latina, do mesmo modo que

para admirar, que estas duas linguas não tivessem termos semelbantes; e por quanto os paes

fallárão a mesma lingua, he natural que os filhos possão ainda entenderse, sem pedirem de emprestimo palavras uns aos outros.

¿Como explicar a existencia de termos gregos e hebraicos no patois dos montanhezes de Cevennas e dos Vosges, e a construcção hebraica das suas phrases? A historia do genero humano, e da propagação das linguas encerrão a explicação.

Quando os etymologistas dizem que tal termo vem do latim, tal outro do grego, etc.; he ainda necessario que elles nos digão de qual lingua os Latinos, etc., receberão os seus.

Eis-aqui como M. Bergier conclue:

=«La question de l'origine du françois, si long-temps agitée, est donc à proprement parler une affaire de calcul. Y a-t-il dans cette langue un plus grand nombre de termes tirés des patois, qu'il n'y en a de dérivés du latin? Si la pluralité se trouve dans les patois, leur construction étant plus semblable au françois que celui-ci au latin, la cause est jugée en faveur des patois; ils sont la vraie source de notre langue. Jusqu'à ce que la supputation ait été faite, le procès demeure indécis, et nous devons nous borner à dire, comme les Romains, que nôtre langage est formé en partie d'une langue polie, et en partie d'un jargon barbare. Mais ce jargon même a été bâti sur le même fonds

que les langues les plus élégantes de l'univers, sur les monosyllabes dont se servoient les aieux du genre humain.»=

ANTONIO RIBEIRO DOS SAntos pretendia, ao que parece, escrever uma obra sobre as Origens da Lingua Portugueza, pois que entre os seus manuscriptos se encontrão varios volumes, nos quaes hia reunindo apontamentos sobre esta materia. Desgraçadamente, porém, o que existe a semelhante respeito, na Bibliotheca Riberiana, he informe, e pouco aproveitavel; sendo alias de crer que o laborioso Author, se a vida lhe não faltasse, teria augmentado esses apontamentos, e tirado d'elles o partido que levava em vista.

Ainda assim, temos por indispensavel indicar aqui os Mss., que mais particularmente se referem a questão da origem da nossa lingua.

-ORIGENS LATINAS DA LINGUA DE ESPANHA. -Neste volume, a que o Author não tinha dado a ultima demão, apresenta varios argumentos para contrariar a filiação latina das linguas de Hespanha, os quaes pela maior parte se encontrão, dispostos em melhor ordem, na Memoria de D. Francisco de S. Luiz, que já extractámos. O Author estabelece as seguintes asserções:Muitas palavras havidas por latinas são primitivas da Natureza; —muitas vierão d’outras fontes, do grego, do celtico;— muitas recebêrão os latinos de nós, e não nós d'elles, em cousas de agricultura e de milicia;— muitas só são do latim barbaro da idade media, palavras não latinas de nascimento, mas sim adoptadas de varias linguas dos povos barbaros, ás quaes se dava terminação ou inflexão latina; —ha na nossa lingua uma immensa quantidade de palavras, que não são latinas, nem compostas ou derivadas delle; — ha palavras que não são realmente latinas, posto que derivadas ou compostas d'elle;— e finalmente ha uma extraordinaria somma de palavras, que tomámos doʻlatim, depois da nossa lingua já estar formada. — Seguem-se depois os argumentos relativos a syntaxe, adverbios, etc., etc., que já vimos na Memoria de D. Francisco de S. Luiz.

NoticiAS DA LINGUA CELTICA E DE SEUS DIVERSOS DIALECTOS.—Na Introducção estabelece o Author as duas seguintes asserções:— 1.«A maior parte dos povos de Espanha, anteriores a Francos, Gregos e Romanos, era Celtica; e Celtica era portanto a sua Lingua, como o era a sua gente.»—2.«No Celtico achamos, ou a explicação, e razão da maior parte dos antigos vocabulos de Espanha, ou a sua analogia e semelhança; o que mostra ainda, independentemente daquella prova, que o antigo idioma do paiz era de sua origem celtico.»

-ORIGENS CELTICAS DA ANTIGA LINGUA GERAL DE ESPANIA E DE SEUS ACTUAES DIALECTOS.

Com esta epigraphe: Antiquam exquerere matrem — Contém um Diccionario Harmonico-Analogico do Celtico Espanhol.

Diz o Author na Introducção: « Depois do vocabulario Harmonico-Hispano-Celtico, apresentamos outro simplesmente Analogico, em que não já pelas radicaes, mas só pela mera analogia e conformidade ou semelhança mechanica dos termos, independentemente da significação, se mostra a filiação e affinidade Celtica dos antigos vocabulos de Espanha. » =

(Por augmentar e acabar, diz uma nota escripta pela propria letra de Antonio Ribeiro dos Santos; e o mesmo pode dizerse a respeito de quasi todos os manuscriptos, de que se compõe a Bibliotheca Riberiana: pelo que nos abstemos de indicar outros que ali encontrámos.)

$ 4.5

COXSIDERAÇÕES ETHNOGRAPDICAS, COM REFERENCIA Á LINGUA PORTUGUESA

In mores, in linguam, in jura, in ditionem cessere romanam.

Inscrip Lapid.

Romanosque omnes fieri,
Quos Tagus aurifluens, quos magnus inundat Hiberus

AURELIUS PRUDENTIUS CLEMENS.

1

Promettemos no artigo antecedente examinar algumas questões ethnographicas, que se enlação com o assumpto da filiação da nossa lingua. Damos hoje começo a essa tarefa.

Os leitores sabem já que o nosso proposito he antes indicar as fontes de doutrina, do que escrever um Tratado ex professo; e por isso esperamos que nos desculpem a importunidade das innumeras citações, que fazemos, em attenção a natureza especial do nosso trabalho.

O Sr. S. Luiz concluiu de um certo numero de provas historicas, «que he difficil introduzir em um povo numeroso a total a mudança de linguagem, ou ainda alterar as suas formas carac« teristicas; e por outro lado, considerando que todos os philo« sophos reconhecem a intima e essencial ligação que tem a linaguagem com o pensamento, e a forma externa do discurso com «o quadro interno das idéas, de que elle é a expressão », concluiu que se lhe affigurava impossivel, não só difficil, a mudança total da linguagem antiga portugueza para a latina, ou (o que vem a ser o mesmo) o total esquecimento e abandono da primeira para adoptar a segunda.

He, porém, certo que os factos historicos, os principios ethnographicos, e o sentir de mui competentes philologicos, contrarião inteiramente estas asserções.

Um profundo philologo, M. Bonamy, em uma Memoria in

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