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José Dias Pereira....

...Silvano Ericino. Silvestre Gonçalves da Silva Aguiar. . Siveno Cario. José Caetano de Mesquita...

Metatesio Clesmenio. Feliciano Alves da Costa .

Memeroso Cylenio. Francisco José Freire.

Candido Lusitano. Luiz Correa de França e Amaral..... Melizeu Cylenio. Francisco de Sales. ..

Titiro Partiniense. Mariano Borgonzoni Martelli.. Mirtilo Felsineu. José Xavier de Valladares e Sousa. . . Sincero Serabriense. Manoel Pereira de Faria.

Silvio Aquacelano. D. Vicente de Sousa..

Mirtilo. Damião José Saraiva..

Dameta. José Rodrigues de Andrade.

Montano. Padre Caetano Innocencio

Melibeu. Manoel José Pereira....

Albano.
Ignacio Garcez Ferreira.

Gilmedo.
D. Francisco Innocencio de Sousa.
Luiz Pinto de Sousa.
João de Saldanha d'Oliveira.
Joaquim de Foios.
Gaspar Pinheiro da Camara Manoel.
José Soares de Avelar.
Padre Manoel de Macedo.
O Conego D. Joaquim Bernardes.

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Os tres primeiros Arcades, a cujo nome posémos o signal +, são os fundadores da Arcadia; tendo os dous primeiros conferido entre si, e depois com o terceiro, sobre o estabelecimento de uma tal Sociedade.

De Francisco José Freire, Candido Lusitano, são bem conhecidas a Arte Poetica, o Diccionario Poetico, as Maximas sobre a Arte Oratoria. Veja-se o erudito Prologo do Sr. Rivara, e o Catalogo de todas as obras de Candido Lusitano, nas Reflexões sobre a Lingua Portugueza, escriptas por este ultimo, e publicadas em Lisboa no anno de 1842 pela Sociedade dos Conhecimentos uteis.

De Garção, Coridão Erimantheo, temos as Dissertações sobre a importancia e verdadeiro caracter da Tragedia, e outros escriptos sobre o modo de imitar os melhores authores da antiguidade, e dos portuguezes; bem como são conhecidas as suas obras poeticas.

De Antonio Diniz da Cruz, Elpino Nonacriense, temos o Hyssope, as Odes Pindaricas, Poesias, e Dissertações sobre o estylo das Eclogas.

De Manoel de Figueiredo, Obras Posthumas.

De Luiz Correia da França, Domingos dos Reis Quita, Theotonio Gomes de Carvalho, e de Mariano Borgonzoni, correm impressas algumas composições do tempo da Arcadia.

Academia dos Generosos.

=«Em Portugal, diz Bluteau, D. Antonio Alvares da Cunha, Trinchante Mor de S. M., fez em sua casa Academias, a que chamárão dos Generosos. Tiverão principio no anno de 1647; e durarão successivamente todos estes sem interpolação até o anno de 1668; ao depois as tornou a fazer o anno de 85, e 86 com o mesmo appellido de Generosos. Por sua morte ficou D. Luiz da Cunha, glorioso herdeiro da erudição paterna, e como tal, com grande concurso, e applauso restaurou a dita Academia, sendo Secretario o Conde de Villar Mayor. No anno de 1696 na Livraria do Conde da Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes se instituio outra Academia Portugueza com o titulo de Conferencias Discretas em que aos Domingos á noite a mais illustre, e erudita Nobreza do Reyno se ajuntava a examinar, e resolver questoens Physicas, e Moraes; e para mayor elegancia da sua prosa, e poesia nacional, decedia as difficuldades, que se propunhão sobre a propria significação dos vocabulos da sua lingoa.

(Vocabul. Verb. Academia.)

«Assentárão os Scientes de Lisboa juntar-se aos Domingos em a Livraria do Conde da Ericeira, a quem elegerão Secretario, e conferirem em materias scientificas, reduzidas a forma Academica, e tratadas em Discursos, e Dissertações na exposição critica dos melhores authores, em questoens Filosoficas, e Problemas Mathematicos, em metros a varios assumptos, e sobre tudo em palavras da lingua Portugueza, ou já introduzidas com significação propria, ou já antiquadas, ou ainda não admittidas.»

(Formulario do Assento registado no Livro das Con

ferencias Eruditas, que se celebrárão na Livraria do Conde da Ericeira desde 12 de Fevereiro de

1696.)

— «Mayor admiração merece, e melhor successo teve a inextinguivel Academia do Generosos, que com a empreza de uma vela acceza, e por mote Non extinguetur, prometteo, e vay conservando huma luz immortal; porque desde a sua instituição no anno de 1647, ha mais de 70 annos, que se perpetúa, e hoje torna a sahir mais luzida, com o mesmo titulo de Generosos, etc.

(Preambulo da renovação da Acad. dos Generosos nas

casas do Conde da Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes, pelo Padre D. Rafael Bluteau, anno

de 1717.)

No periodo de 1696 por diante, diz Bluteau, que frequentavão a Academia dos Generosos o Marquez de Alegrete, Manoel Telles; D. Francisco de Sousa, Capitão da Guarda; José de Faria; Luiz do Couto Felix, Guarda Mór da Torre do Tombo; Manoel Gomes da Palma, Jurisconsulto; Ignacio da Silva.«Estes, e outros muitos alumnos de Minerva logravão todos os Domingos humas noites Athicas, a que não ousara Aulo-Gellio preferir as suas.»—

Depois de alguns annos de interrupção — «refloreceo a Academia dos Generosos, no anno de 1717, da qual he hoje Secretario o mesmo Conde da Ericeira, assistido de alguns vinte Mestres, que todas as quintas feiras lem em duas Cadeiras oracoens sobre as materias, que elles escolherão para exercitar o talento, e instruir o auditorio.»

(Bluteau. Prosas Academicas.) Se compararmos os assumptos tratados nestas Conferencias com os da Academia dos Singulares, encontraremos uma differença muito sensivel a favor dos Generosos. Acertadamente o diz Bluteau: «Não he lastima e desgraça grande ver entendimentos tão elevados, desvelados em representar o infortunio de huma Dama, que tendo bons olhos, não tinha nem hum dente, e encarecer o máo gosto de hum moço, namorado de huma Dama, por ser calva ? Destes e outros frivolos assumptos estão cheas as obras dos nossos Academicos etc. »

Vamos agora dar uma noticia da Academia dos Singulares.

Academia dos Singulares.

No Prologo do Livro intitulado Academias dos Singulares, se dá a razão por que os respectivos Academicos adoptárão uma denominação que parece extravagante.=«Com epitetos particulares se appellidárão todos os Academicos do mundo; Confiados se chamárão os de Pavia, Declarados os de Sena, Elevados os de Ferrara, Inflāmados os de Padua, Unidos os de Venesa..... Á imitação destas Academias se nomeárão os sujeitos deste livro (Singulares) não porque presumão de unicos nos talentos, mas por que são singulares na occupação. »=

O mencionado livro=Academias dos Singulares de Lisboa dedicadas a Apollo, 1665 e 1668,=dá informação sobre o estabelecimento, nomes dos Socios, e fim da Academia.

A primeira conferencia da Academia teve logar no dia 4 de Outubro de 1663, e finalizou em 24 de Fevereiro de 1664; recomeçárão depois as conferencias em 9 de Outubro deste ultimo anno, e concluirão-se em 19 de Fevereiro de 1665.

A empreza da Academia era uma pyramide em que estavão escriptos, desde a base, os nomes de Homero, Aristoteles, Virgilio, Ovidio, Horacio, Camões, Garcilasso, Gongora e Lope, com a letra: Solaque non possunt hæc monumenta mori.

Para darmos aos nossos Leitores, que ainda não tiverem visto aquella obra, uma idéa do theor e alcance dos trabalhos da Academia, diremos duas palavras.

O primeiro presidente foi Sebastião da Fonseca, seguirão-se João Ayres de Moraes, Luiz Bulhão, João da Costa Cáceres, Simão Cardoso Pereira, André Rodrigues de Mattos, Antonio Marques, Pedro Duarte Ferrão, João de Almeida Soares, Bartholomeu de Faria etc.

Começava a conferencia por um discurso do presidente, seguia-se a leitura de algumas poesias em louvor deste, e ultimamente recitavão os Academicos uma composição poetica sobre o assumpto que havia sido escolhido para aquelle dia.

Os assumptos escolhidos para as Academias erão todos jocoserios, e pela maior parte frivolos. Por exemplo: Foi assumpto da 1.a academia; uma dama, a quem pedindo Fabio uma prenda, soltou o cabello, e lhe deu com a mão uma figa; da 2.a foi assumpto a convalescença de Amarilis; da 3.a foi assumpto uma dama, que expellindo da bocca uma folha de rosa, que nella tinha, se lhe poz em uma face. O demais no mesmo gosto.

Os discursos dos presidentes são, em verdade, ricos de boa linguagem, mas recheados em demasia de textos latinos, e escriptos n'um estilo exagerado e insupportavel, de antitheses, de conceitos, de hyperboles, e de semsaborias.=« Entrárão na abrazada Corte os celestes Deoses, e achando o Primáz das luzes em throno tão brilhante, e com galas tão luzidas, a vista se lhes equivocava, sem saber qual era a gala, e qual o throno era, e nelle gravado de finos diamantes a seguinte letra — Calcat quem illuminat.- Por Secretario lhe assistia aquelle desgraçado mancebo, (cuja abrazada ruina as sentidas irmãs com dolorosas lagrymas no Rio Pó lamentão) Faetonte digo, que por ter quéda para o ser, lhe permittio o pay o dito cargo, que he justa a privança no que se vio cahido, e diz bem a penna em quem sabe de voos. Vestia o flamante rapaz chamelote de agoas com grandes golpes, e guarnições de fino ouro, e aos pés em hùa bem feita tarja trazia a letra seguinte-- Post fluvium solium.) –Em outra academia o presidente conta que as graças o levarão a um delicioso prado:

:=«Alli a magestade do cravo, a altesa da rosa, a excellencia do jūquilho, a puresa do jasmim, o suave da violeta, a desconfiâça do goivo, e a divindade das angelicas, todas postas em campo, parece que se armavão contra as tres Graças; mas toda esta furia florida foi folha; e respeitando as boninas aquellas tres graciosas fermosuras, ficarão em pé diante dellas. »=Dalli o conduzem a um sumptuoso edificio, onde encontra os retratos dos Academicos Singulares, rodeados de magnificos trophéos de gloria, e engrandecidos em altisonantes versos.

Os Academicos tratão-se entre si com a mais rara modestia! Na primeira folha do Livro que Apollo manda a um dos Academicos, lia-se este titulo: Honra de Apollo, e Gloria de Portugal. Dedicado á immortalidade, impresso á custa da fama, na officina das Musas, com licença de Apollo. Vende-se no Parnaso.

«Admirado, diz o Orador, de tão raro estylo, passey adiante, e sendo muito o que tanta novidade me promettia, achei muito mais do que esperava. Occupava a primeira folha deste Livro, o nome sempre grâde, e para sempre immortal, do senhor Sebastião da Fonseca, Mestre dignissimo, e primeiro Presidente desta Academia, sujeito tão benemerito, que em lançar a primeira pedra a este edificio das Musas, prometteo logo eterna duração a seu glorioso progresso, e abaixo do seu nome servia esta decima de humilde panegyrico a seu merecimento:

Fonseca, confesse o mundo,
que sois com tanta sciencia
primeiro na presidencia,
e nas prendas sem segundo:

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