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Lamenta em primeiro logar que André de Resende não fosse devidamente incitado com as merecidas recompensas, pois que d'outra sorte fizera muito em beneficio da patria, e dexarà de ser pobre, de que algñas vezes se queixa, porque os serviços, en que vai o gosto do Rei, e honra da Republica, não podē carecer de bom premio.

Recorda a generosidade de Alexandre para com Aristoteles, a quem aquelle grande Soberano deu oitocentos talentos por escrever a historia dos animaes; e diz depois : « Mas porq as inclianações dos Principes sam differentes, e nem todos os Reis são « Alexandros, quero aqui lembrar a grande comodidade, s para «isto trazē as universidades bè ordenadas, em que ha professo« res publicos, e salariados de todas as artes, e sciencias dedica

dos cada qual a liçam de sua faculdade, para o ĝ a emulaçam, «e opposiçam os faz mais idoneos, como houve na de Coimabra, ğ depois lhe foram tirados, dexado sómõte os de theolo«gia, Canones, leis, e medicina.— Podese quexar a sagrada theo«logia, pola privarē da copanhia, e ornato da mathematica, «philosophia, logica, rhetorica, e as mais artes deste genero li«das por taes professores, que Santo Thomas, e S. Dionysio « Areopagita lhe dam por ancillas. E nôs tambè nos podemos « quexar pello ğ se nos tirou co as taes artes, ğ nisto se verá a claramente, porque ellas deram aos Socrates, Aristoteles, De« mosthenes, Thucydides, Catões, Tullios, Livios, Cyprianos, « Hieronymos, Agustinhos, Osorios, e infinidade de escrittores « outros, cujas obras nam se pode explicar de quanta utilidade « sejam. — Dos quaes homens ha neste Reino grande falta, e es« pecialmète vemos, que vem estrangeiros a Portugal a escrever « nossas cousas, como se fossemos nós alguns barbaros, ou Por«tugal pam criasse engenhos, que applicandose o podessem fa«zer muito melhor, como hum Andre de Resende, hum Diogo « de Teve, e outros muitos, s poderamos ter, se a universidade « perseverara na orde, en q começou co mestres eminentissimos «de letras humanas, cujos discipulos assi nas lingoas latina, e «e Grega, como na philosophia deram a este Reino nam peque«no lustre, e honra, como notou Francisco de Andrada.»

Este Capitulo 45 he interessantissimo com referencia á historia da Universidade de Coimbra. (Veja o Ensaio do sr. Freire de Carvalho.)

Anda junto com as Varias Antiguidades um escripto do mesmo Author, que tem por titulo: Trattado da linhagem dos Estaços, naluraes da Cidade de Evora. Interessa este escripto á Historia Litteraria, por dar noticias historicas sobre os ascendentes de dous homens illustres nas Lettras, Gaspar Estaço, e Achilles Estaço.

ACADEMIA, SEU RESPUBLICA LITTERARIA..... - Authore D. Benedicto Pereyra Societatis Jesu. Ulyssipone. — Ex officina, et sumptibus Antonii Craesbeeck de Mello. Anno 1662.

Julguei indispensavel fazer menção desta obra de Bento Pereira, por isso que o assumpto sobre que versa interessa á Litteratura.

Para dar uma ideia desta obra, na qual o seu Author despendeu uma vasta erudição, indicarei aqui os objectos dos Livros, em que ella he dividida.-0 1.° Livro tem por titulo: De essentia, institutione et nobilitate Academiæ;-0 2.0: De legibus, et statutis Academiæ;—0 3.°: De privilegiis et privilegiatis;—0 4.°: De exercitio literarum in ludis, et certaminibus;-0 5.0: De Rectore Academiæ;-0 6.0: De Cancellario et Gymnasiarcha;-0 7.': De Conservatore; -o 8.': De Doctoribus et Magistris;-0 9.0: De Scholasticis tam discipulis, quàm auditoribus;-0 10.°: De Collegiis et Præbendalis.Cada um dos Livros he dividido em Disputationes, e estas em Quæstiones, tratadas em numeros separados.

He força confessar que o maior numero das questões, tratadas naquelle Livro, perdêrão já a opportunidade, em consequencia da nova organisação dada ao ensino publico, e aos estudos Universitarios e Academicos, desde os fins do seculo passado e no actual. Querendo-se, porém, estudar a organisação das Universidades e Academias dos seculos anteriores, e nomeadamente do 17.', e da primeira parte do 18.', encontrar-se-hão no Livro de Bento Pereira bastantes elementos, noticias e doutrina.

A questão 5.o (3.4 Disp. Liv. 1.°) tem por titulo: Quale fuerit judicium magnorum Principum de utilitate Academiæ Conimbricensis; e nelle são indicados alguns documentos, que fazem honra a D. Diniz, e a D. Affonso 4.o, e a alguns Soberanos Pontifices, com relação á Universidade de Coimbra; bem como na Questão 6.o cita varios documentos muito honrosos á memoria de alguns Pontifices, e ao Cardeal Infante D. Henrique, com referencia ao Collegio e Universidade de Evora.

MEMORIA ESTATISTICA ÁCERCA DA NOTAVEL VILLA DE MONTE-MÓR o Novo – por Joaquim José Varella.

0 Artigo 3.o desta Memoria traz um Cathalogo, por ordem alphabetica, dos Illustres Escriptores de Monte Mór o Novo.

DESCRIPÇÃO HISTORICA E ECONOMICA DA VILLA E TERMO DE TORRES VEDRAS— por Manoel Agostinho Madeira Torres.

Na ultima parte do Capitulo 9.o accrescenta o Author á lista dos Escriptores respectivos, que traz Barbosa na Bibliotheca Lusitana, os nomes de outros que o Abbade de Sever não mencionou.

Apresenta depois um Catalogo dos homens de Lettras, não escriptores.

N. B. Estas duas Mem. encontrão-se na Collecção das da Academ. Real das Sciencias de Lisboa.

BÉJA NO ANNO DE 1845, OU PRIMEIROS TRAÇOS ESTATISTICOS DAQUELLA CIDADE. Funchal 18447 — por José Silvestre Ribeiro.

O Capitulo 7.o deste opusculo traz uma lista dos principaes Sabios e Litteratos, naturaes da Cidade de Béja, com uma breve, mas substancial noticia dos titulos que os recommendão á posteridade.

Ao ILL.o E Ex." SR. MARQUEZ DE POMBAL, EM AGRADECIMENTO DE BENEFICIOS RECEBIDOS — Oração por Joaquim José de Miranda Rebello. Lisboa 1773.

He um panegirico eloquente do grande Marquez de Pombal, por vezes empolado em demazia, mas rico de considerações sobre o estado das Sciencias e das Lettras nos differentes seculos.

Querendo fazer sobresahir as reformas do immortal Ministro, desenha com grande vivacidade a anterior situação scientifica e litteraria de Portugal:=« Reduzidos os espiritos a hum voluntario captiveiro, se propagava universalmente aquelle gosto depravado, que obrigava a reputar por culpavel atrevimento o innocente, e necessario uso do nosso juizo. Entre os nossos não havia cousa mais estranha, que o pensar per si mesmo. Dispostos assim os animos a tudo subtilizarem, e nada comprehenderem; esquecendo de proposito fazer separação do utile do prolixo; estabelecido o systema de empregar huma vida inteira em entender tudo quanto de sua natureza fosse inintelligivel, tomados por justos instrumentos os que só servissem para tudo ignorar, passavam os nossos illudidos, ainda que applicados, a penetrar os importantes mysterios das tres grandes scien

cias. »=

DESCRIPÇÃO HISTORICA E TOPOGRAPHICA DA CIDADE DE PENAFIEL — por Antonio d'Almeida.

He sabido que por Carta de Lei de 17 de Março de 1770 foi creada a Povoação de Arrifana de Sousa em Cidade de Penafiel.

O Author da Memoria trata pois primeiramente de Arrisana de Sousa, e depois se occupa com as noticias relativas a Cidade de Penafiel. No Cap. 15 trata das pessoas que mais se distinguirão em Arrifana de Sousa, e ahi apresenta a biographia daquellas que se tornárão mais notaveis e illustres nas Lettras. Da epocha posterior á creação da Cidade de Penafiel não menciona pessoa alguma recommendavel na republica litteraria.

(Vem nas Mem. da Acad. Real das Sciencias de Lisboa.) DESCRIPÇÃO TOPOGRAPHICA E HISTORICA DA CIDADE DO Porto....por Agostinho Rebello da Costa. Porto 1789.

O Capitulo 9.o desta obra he consagrado a enumerar os Homens illustres em Lettras, e Armas, que a Cidade do Porto produzíra até aos fins do seculo 18.0 O Author, attendendo a que nos estreitos limites de uma breve Descripção não cabia apresentar longos desenvolvimentos biographicos e criticos, mencionou apenas os que julgou mais dignos de altenção, indicando sem a devida separação os distinctos em Litteratura, e os famosos em Armas, pois que o maior numero delles exercitárão hum e outro emprego. O Catalogo que o Author apresenta he interessante, porque reune em um só quadro os homens notaveis, que na segunda Cidade do Reino tiverão nascimento; mas he muito escasso de noticias.

O Capitulo 10.o da mesma obra traz uma noticia das Mulheres illustres em virtudes, em sabedoria, e outras raras qualidades, que nascérão na Cidade do Porto.

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Escriptos Bibliographicos.

A Bibliographia, limitando-se unicamente a descrever livros, he apenas a sciencia do Livreiro; mas se ella se propuzer a classificar methodicamente os Livros, a distinguir os bons dos máos, a indicar as edições raras, a inculcar as obras mais uteis e preferiveis entre as immensas producções que hoje enchem as Bibliothecas; — neste caso a Bibliographia póde tornar-se interessante e muito proveitosa ás Lettras e ás Sciencias.

Será pois um excellente Bibliographo aquelle que pudér dar noticias apuradas e seguras, tendentes a guiar pelo melhor e mais curto caminho para a acquisição de conhecimentos, e a promover a disposição e collocação mais propria dos livros, em ordem a que seja facil encontra-los, ainda na mais yasta collecção.

Não entra no nosso plano fallar aqui dos preciosos trabalhos bibliographicos dos de Bure, dos Peignot, dos Brunet; aqui só nos occupamos dos escriptos bibliographicos relativos a nossa Litteratura.

Neste genero possuimos os seguintes subsidios:

CATALOGO ALPHABETICO, TOPOGRAPHICO, E CHRONOLOGICO
DOS AUTHORES PORTUGUEZES, CITADOS PELA MAIOR
TA OBRA (Vocabulario Portuguel e Latino) — pelo Padre D.
Raphael Bluteau.

(Vem no Tomo 1.o do Vocabulario)

= De todos os Autores Portuguezes, diz Bluteau, que me vierão á mão, fiz este Catalogo, não só, para seu credito delles, mas para autoridade deste Vocabulario, porque rara he a palavra, menos vulgarmente usada, ou termo scientifico, e extraordinario, que não venha authorizada com algum exemplo, e juntamente com a citaçam da pagina no livro do Autor allegado. Até das palavras, mais vulgares, muitas vezes trago exemplos, para que conste do sentido, em que forão usadas; e não he superflua esta curiosa pontualidade, porque sobre o significado de termos corriqueiros, e chulos, muitas vezes se levantão controversias, que só com o exemplo de algum Autor se decidem.»=

Bluteau explica depois a razão dos titulos do seu Catalogo:

=«Os titulos deste Catalogo sam tres, por tres razões. He alphabetico, topographico e chronologico. Alphabetico, pella disposiçam dos Autores pelos seus nomes proprios, segundo a or

ARTE NES

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