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Anorim. - Ernesto Biester. - Palmeirim. A. Corrêa de Lacerda. Preço 500 reis. Assigna-se na loja de Melchiades, rua do Ouro. »

Á frente da noticia d'esta publicação encontram-se algumas considerações da redacção (cominettida n'esse tempo aos nossos conhecidos escriptores os srs. Mondes Leal e Pedro Diniz) que por mui judiciosas, e por apresentarem traços characteristicos da pessoa do sr. A. Ferreira, e da sua physionomia moral e litteraria, apezar de algum tanto extensas, podem ter aqui fogar; tanto mais que, segundo se affirma, foram ellas manifestação inteiramente espontanea da parte de quem as escreveu, sem que precedesse pedido, ou recommendação, cousa que poucas vezes se dá entre nós! -- Eil-as, copiadas para a impressão do proprio jornal a que

alludo: Os livros novos são hoje raros, por que todos os ingenhos com poucas excepções estão voltados para a politica, e empregados na imprensa periodica: por isso o apparecimento de um livro, ou peca litteraria, separado d'essas foIhas quotidianas..... é sandado com admiração. O livro, que abaixo se annuncia, e que pelo seu teor vem preencher uma lacuna importante, é um dos que mais dignos se tornam de attrahir a attenção publica, porque se refere ao theatro, onde toda a gente entra, e d'onde pouca sae sabendo apreciar o que la presenceou. A litteratura dramatica é uma especialidade que em Portugal está pouco cultivada, e que tem sido substituida pela palestra semsaborona dos foThetins, ou revistas semanaes. Entre os poucos folhetinistas, que se apartavam da grei inculta dos seus confradas, e abriam caminho ao bom gosto, e á critica sisuda, robustecida pelo estudo dos bons auctores estrangeiros, sempre se distinguiu Andrade Ferreira, que por muitos outros titulos bem merece do publico e do governo aquella protecção que fecunda o talento.

a José Maria de Andrade Ferreira, escriptor judicioso e critico atilado, reune as suas qualidades litterarias outras sociaes que o tornam recommendavel. Dotado de sentimentos elevados, e de um caracter affavel, mas independente, tem procurado sempre no trabalho aturado, e realçado por uma probidade pouco vulgar, supprir a falta de un pae, de que ficou orphão em annos ainda verdes; e servindo d'esteio a sua edosa mãe, tem sabido reunir as virtudes domesticas aos dotes litterarios, que se tornam muito mais aquilatados com aquelle hoje raro esmalte. Ignorou porém sempre a arte de enredar, e nunca possuiu aquelle condão que tem certos homens para se metterem em primeira linha, usurpando muitas vezes os logares que a outros competem. É por isso que os governos, que tem por ahi distribuido canonicatos e sinecuras, até mesmo a quem por golodice, e nuo por precisão as póde solicitar, se não lembraram de collocar o escriptor de que falamos em posição, á sombra da qual elle podesse mais desassombradamente entregar-se a sua vocação e profissão litteraria, enriquecendo as letras patrias com os fructos valiosos do seu talento e estudo. Se eile amasse mais o ocio do que os livros, o passeio do que o estudo, talvez já tivesse alguns d'esses benesses, que por ahi se dão a vocações que nunca passam de vocações, e que á sombra do favor e do nepotismo se vão esterilisando, senão transformando em inclinações pouco louvaveis. Depois deste exordio, que a justiça pedia, eis o annuncio do livro, que em breve apparecerá ! » (E segue-se de maneira que já acima o transcrevi.)

Talvez que a melhor parte das ponderações feitas em geral, que ahi se lêem, tenha mais de uma applicação particular; e que fosse este um dos casos de bein podermos dizer com o fabulista latino:

Mutato nomine de te

Fabula narratur. Ao terminar este artigo, occorreu ainda a commemoração de que Andrade Ferreira pertencem muitos folhetins semanaes publicados no Jornal do Commercio do Porto, e de que elle é, on tem sido correspondente de alguns periodicos do Brasil.

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sr.

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ser.

D. FR. JOSÉI MARIA DE SANCTA ANNA NORONHA, Eremita da Ordem de S. Paulo da congregação da Serra d'Ossa, cujo instituto professou em 1779: Doutor em Theologia pela. Universidade de Coimbra em 1792: Prégador regio, Deputado da Meza do melhoramento das Ordens regulares, e da Junta da Bulla da Cruzada, etc. Eleito Bispo de Angra em 1823, e transferido d'este bispado para o de Bragança e Miranda, do qual tomou posse a 24 de Septembro de 1824. Regeu exemplarmente a sua diocese pouco mais de cinco annos, em circumstancias difliceis, provenientes das vicissitudes politicas por que passou o reino durante aquelle periodo. Era tido em conta de homem virtuoso, e no estado de religioso desempenhou por muitos annos em Lisboa o ministerio do pulpito, sabendo conciliar a estima e attenção dos que o ouviam, como não deixarão de recordar-se todos que o conheceram.- N. em Lisboa a 5 de Fevereiro de 1761, e m. em Bragança com perto de 69 annos a 24 de Dezembro de 1829.- Existe a seu respeito uma breve noticia biographica, em meia folha de papel sem titulo, no formato de folio, impressa em Lisboa, na Imp. Regia 18:30. Vej. tambem os Estudos biogr. de Cannes, a pag. 165. Na Bibliotheca Nacional de Lisboa se conserva um seu retrato de corpo inteiro.-E.

4081) Oração recitada na solemne acção de graças, que pelo nascimento do

principe da Beira o sr. D. Antonio, fez celebrar o primeiro regimento da Armada na egreja de N. S. da Pena. Lisboa, na Offic. de Antonio Rodrigues Galhardo 1795. 4.° de 23 pag.

4082) Sermão da natiridade de Nossa Senhora. Lisboa, 1810...

4083) Discurso moral e patriotico, em que por motivos de religião se mostra que os portugueses devem ser fieis á casa de Bragança, como soberana legitima de Portugal. Lisboa, Imp. Regia, 1811. 4.° de 30 pag.

408) Oração funebre prégada nas prequias da rainha fidelissima D. Maria I, na real capella da Bemposta. Lisboa, Imp. Regia, 1816. 8. gr. de 32 pag.

4085) Sermão analylico, prégado nas erequias do sancto padre Pio VII. celebradas na egreja patriarchal de Lisboa no dia 26 de Septembro de 1823. Lisboa, na Oflic. de Antonio Rodrigues Galhardo 1823. 4.° de 30 pag.

4086) Sermão historico em acção de graças pelo restabelecimento de Sua Magestade ao augusto throno de seus maiores. Pregado na sancta egreja de Lisboa, em 13 de Julho de 1823. Lisboa, na mesma Ollic. 1823. 4.° de 28 pag.

Haverá talvez impressos mais alguns, que ainda não pude ver.

4087) Pastoral a todos os diocesanos do bispado de Bragança, na occasiño de ser confirmado bispo, e tomar posse d'aquella diocese. Ibi, na mesma Oflic. 1824. 4.° de 26 pag.

4088) Pastoral aos seus diocesanos, exhortando-os a concorrerem com esmolas para a conservação dos logares sanctos em Jerusalem. Datada de 15 de Abril de 1825. Porto, Typ. da Viuva Alvares Ribeiro & Filhos 1825. 4.° de 6 pag.

4089) Pastoral erhortaloria aos seus diocesanos, por occasiño de alguns desacatos commettidos em varias egrejas do reino. Datada de 3 de Septembro de 1825. Porto, na mesma Typ. 4.° de 8 pag.

4090) Pastoral, mandando publicar o jubileu do anno sancto. Datada de de 1826. Ibi, na mesma Typ. 1826. 4.° de 11 pag.

4091) Pastoral, annunciando aos seus diocesanos a morte do imperador e rei o senhor D. João VI, e recommendando a obediencia ao governo por elle nomeado. Datada de 18 de Março de 1826. Porto, na mesma Typ. 1826. 4.° de

4092) Pastoral, contra a doutrina de alguns que affirmaram ser licito em juizo o juramento falso, quando dado com intenção de fazer bem. Datada de 29 de Marco de 1826. Porto, na mesma Typ. 1826. 4.° de 7 pag.

4093) Pastoral aos seus diocesanos, por occasião da guerra civil, erhortando-os á obediencia ao sr. D. Pedro IV e á Carta por elle outorgada. Dalada de Bragança, a 20 de Agosto de 1826. Porto, Imp. do Gandra. Fol. de 3 pag.

4 pagi

e

D. FR. JOSÉ MARIA DE ARAUJO, Monge de S. Jeronymo, eleito Bispo de Pernambuco em 13 de Abril de 1801. Depois de sagrado tomou pessoalmente posse d'aquella diocese a 21 de Dezembro de 1807, e n’ella m. em 21 de Novembro de 1808, segundo se le a pag. 92 da Mem. hist. e biograph. do Clero Pernambucano, do sr. P. Lino do Monte Carmello Luna (obra que só ultimamente me chegou á mão, offerecida pelo seu digno auctor, e da qual teria já por vezes aproveitado mui uteis subsidios, se mais cedo a possuisse!)- E.

1091) Oração funebre prégada nas e.requias de D. João Francisco Nicolau Marin. Lisboa, Imp. Regia 1803. 4.°

109.) Pastoral ao clero e fieis da sua diocese. Datada de Belem a ... de Maio de 1807. Lisboa, Imp. Regia 1807. 8.° de 12 pag. JOSÉ MARIA DE AVELLAR BROTERO (Doutor),

Commendador da Ordem de Christo no Brasil, Lente cathedratico e Director da Faculdade Juridica de S. Paulo.-Consta ser nascido em Portugal, e parente (ao que presung) do insigne botanico do mesmo appellido, sem poder comtudo adiantar mais cousa alguma a seu respeito por falta d'esclarecimentos.-E.

4096) Principios de direito natural. Rio de Janeiro, Typ. Imperial e Nacional 1829. 4.° de toj pag. e mais 7 d'erratas, com tres taboas lithographadas.

Ha pouco me chegou do Rio um exemplar d'esta obra, com os de varias outras salidas dos prélos do Brasil, e algumas dos portuguezes, valioso auxilio para a continuação d’este trabalho, devido ao zelo do meu prestavel amigo o sr. commendador Varnhagen.

JOSÉ MARIA BOMTEMPO (Doutor?), Formado em Medicina e Philosophia pela Universidade de Coimbra, Fidalgò da Casa Real, Cavalleiro da Orden de Christo, e da Imperial da Rosa no Brasil. N. em Lisboa, segundo se aflirma em 15 de Agosto de 1774, e teve por irmão o celebre pianista João Domingos Bomtempo, de quem já fiz menção no logar competente. Voltando a Lisboa em 1798, depois de concluidos os estudos universitarios, foi nomeado Physico-mór d'Angola, Medico da Camara Real, Juiz Commissario do tribunal do Proto-medicato, e em 1808 Delegado do Physico-mór do reino no Rio de Janeiro. Ahi prestou varios e importantes serviços durante muitos annos, e foi Director interino da Academia Medico-cirurgica, para a qual compoz alguns compendios. Tendo requerido a sua jubilação, passou o resto dos seus dias em vida retirada, até falecer em 2 de Janeiro de 18'13, sem que recebesse do Estado outra recompensa além da pensão de 600 $000 réis, que percebia como lente jubilado. Foi membro titular da Academia Imperial de Medicina, Socio correspondente da Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa, da Academia Medica da Bahia, da Sociedade d'Emulação medica de Barcelona, e d'outras corporações scientificas. - Vej. o Elogio historico que dedicou a sua memoria o sr. dr. José Maria de Noronha Feital, impresso no Archivo Medico Brasileiro, tomo iv, de pag. 116 a 119, e do qual se tiraram exemplares em separado no formato de 8.• Devem-se ahi corrigir pelo que fica dito acima as datas do seu nascimento e obito, por serem estas as verdadeiras, segundo uma noticia inedita que tenho presente, dada por um seu proximo parente.-E.

4097) Compendios de materia-medica, organisados etc. Rio de Janeiro, na Imp. Regia 1811. 1.0

4098) Compendios de medicina pratica, feitos por ordem de Sua Alteza Real ele. Ibi, na mesma Imp. 1815. 4. de xx-293 pag.

1099) Trabalhos medicos, oferecidos á magestade do sr. D. Pedro I etc. Rio de Janeiro, Typ. Nac. (1825). 4." de viii-7'1–122 pag., e mais uma com a errata.

Dividem-se em tres partes :- 1. Memoria sobre algumas enfermidades do Rio de Janeiro.-2.- Plano, ou regulamento interno para.os exercicios da Academia Medico-cirurgica do Rio de Janeiro.—3.* Esboço de um systema de modicina pratica etc.

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JOSÉ MARIA BORDALO, natural de Lisboa, e filho de José Joaquim

Bordalo, de quem tractei em logar competente. -M. em Santarem, no anno de

1856.-E.

4100) A tomada de Santarem por D. Affonso Henriques : drama em prosa.

Lisboa, Typ. de Gaudencio Maria Martins 1843. 8. gr. com o retrato do auctor.

Algumas poesias suas andam espalhadas em diversos jornaes; e tinha an-

nunciado a publicação de dous volumes de obras poeticas, a qual todavia não

chegou a realisar.

JOSÉ MARIA BORGES DA COSTA PEIXOTO, natural da cidade

do Porto, ...-E.

4101) Grammatica hespanhola para uso dos portuguezes. Segunda edição

correcta é muito augmentada, contendo no fim um vocabulario portuguez-hespa-
nhol das palavras mais usuaes e necessarias. Lisboa, Typ. de Maria da Madre
de Deus 1858. 8. gr. de 184 pag. -Não vi a primeira edição.

4102) Guia da conversação hespanhola para uso dos portugueses etc. colli-
gida dos melhores auctores: obra util para aprender o hespanhol e para os via-
jantes, á qual se ajuntou no fim uma collecção de locuções hespanholas, por outro
auctor. Lisboa, na mesma Typ. 1860. 8.o de 197 pag.

JOSÉ MARIA BRAZ MARTINS, auctor e actor dramatico, de cujas
numerosas composições me falta por agora noticia sufficiente para as descrever
com exactidão. Reservando-me pois completar este artigo no Supplemento final,
mencionarei agora tão somente as duas seguintes, de que possuo exemplares.

4103) A Engeitada : drama em dous actos: representado pela primeira vez
em Lisboa aos 17 de Maio de 1845, no theatro da Sociedade Thaliense. Lisboa,
Typ. de 0. R. Ferreira & C.« 1815. 8.° gr. de 69 pag.

4104) Gabriel e Lusbel, ou o Taumaturgo. Mysterio em tres actos e quatro

quadros. — Além das edições feitas em Lisboa d'esta muito applaudida peça,

tambem uma, do Rio de Janeiro, Typ. de B. X. Pinto de Sousa 1857. 8.° max.

e

JOSÉ MARIA DO CASAL RIBEIRO, do conselho de Sua Magestade,

Bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Deputado ás pôr-

tes em 1851, e depois em varias legislaturas, Ministro e Secretario d'Estado dos

Negocios da Fazenda desde 16 de Março de 1859 a 4 de Julho de 1860.-N.

em Lisboa, a ... Ha sobre a sua biographia politica um longo e grandioso es-

tudo, traçado pelo sr. Latino Coelho, e publicado sob o modesto titulo de Per-

fil critico, na Revista Contemporanea, tomo 1 (1859), de pag. 148 a 159, acom-

panhado de retrato e fac-simile. — E.

4105) 0 Soldado e o Povo. Coimbra, na Imp. da Univ. 1848. 8. gr. de

4106) Hoje não é hontem. Lisboa, Typ. de José Baptista Morando 1848.

8.° gr. de 28 pag.

4107) A Imprensa e o Conde de Thomar. Lisboa, Typ. da rua da Bica de

Duarte Bello 1850. 8. gr. de 32 pag.

Estes opusculos politicos, escriptos sob o dictado e influencia das paixões
partidarias que exacerbavam os anímos no tempo em que sahiram á luz, pro-
vocaram ao fim de dez annos explicações pessoaes, da parte de seu auctor,
quando entrado no ministerio, e exposto ás reconvenções dos adversarios, que
não podiam levar em bem vel-o ligado a pessoas que tão desabridamente com-
batéra n'outras epochas. Essas explicações acham-se no discurso pronunciado
por s. ex.a na camara dos Pares em sessão de 24 de Maio de 1859, cujo extra-
cto vem no Diario do Governo n.° 139 de 15 de Junho, a pag. 827, columna 4.°,
e termina do modo seguinte:

« Está persuadido o orador de que se em alguma epocha de paixões politi-

e

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a cas qualquer homem de bem dirigiu a outro alguma, ou algumas injurias, esse a homem sendo bem educado, presando a sua honra e a sua dignidade, tem de a certo ha muito tempo retirado do seu coração o sentido que produziu essas a injurias. Esqueça-se pois a injuria, como ha muito está esquecido o sentiemento que dictou a affronta, »

4108) Carta ao Presidente da Associação promotora da educação popular, em que offerece o donativo de 10:000$000 réis em inscripções para a fundação de uma escola de meninos na freguezia do Beato Antonio. Datada de 19 de fevereiro de 1859. ---Sahiu com a resposta em um folheto nitidamente impresso, com o titulo: Cartas sobre as escholas populares pelos ex.mos srs. J. M. do Casal Ribeiro e A. F. de Castilho. Lisboa, Typ. Universal 1859. 8. gr. de 43 pag.

4109) Relatorio e projectos apresentados á Camara dos Deputados, como ministro da fazenda, na legislatura de 1859-1860.- Pódem ver-se nos Diarios de Lisboa a contar do de 17 de Janeiro de 1860; ou nos Diarios da Camara, onde tambem se acham n'este anno, e nos anteriores, os discursos parlamentares de s. ex. pronunciados, nas diversas questões em que tomou parte, quer como deputado, quer como ministro da coroa.

Foi tambem collaborador de varios jornaes politicos, e, segundo consta, redactor principal da Civilisação, que durou pelos annos de 1856–1857, etc. etc.

JOSÉ MARIA DA COSTA E SILVA, natural de Lisboa, e nascido a 15 de Agosto de 1788; teve por paes Francisco Antonio da Silva, thesoureiro do Terreiro Publico da mesma cidade, e D. Marianna Rosa dos Prazeres. Veiu ao mundo em estado de debilidade tal, que se julgou que a sua vida seria de mui poucos dias; e ainda que se não verificasse o prognostico, a sua infancia foi sempre valetudinaria. Éstudou com aproveitamento a grammatica e lingua latina com o professor José da Costa e Silva, e a da lingua grega com Manuel Moreira de Carvalho; rhetorica com o dr. Maximiano Pedro d'Araujo Ribeiro; philosophia racional e moral com o padre Fr. João de Sousa, religioso trino; physica no mosteiro de S. Vicente de fóra; e theologia com os padres da Congregação do Oratorio de Lisboa. Destinava-se ao estudo da medicina, sciencia de sua particular predilecção; porém circumstancias de familia, e a morte prematura de seu pae, obstarain a que realisasse aquelle projecto.

Começou desde a adolescencia a cultivar a poesia, e tinha, segundo elle affirma, dezesepte annos quando compoz o seu poema intitulado o Passeio. Pelo mesmo tempo consta que escrevêra algumas tragedias, porém foi pouco feliz n'esses ensaios: veja-se o soneto satyrico, em que Bocage o motejava, alludindo • taes composições (vem nas Poesias d'este auctor, da edição de 1853, no tomo I a pag. 374). De genio algum tanto taciturno, caracter indolente e desambicioso, e por natureza avesso a qualquer subjeição ou constrangimento, havia em si uma formal negação para o exercicio de cargos publicos; e bem o mostrou quando admittido como Official papelista, ou praticante na secretaria do tribunal da Meza da Consciencia e Ordens, ao cabo de poucos dias se desgostou, a ponto de não mais voltar á repartição, abandonando o logar, e não curando de procurar outro. Como occupação mais independente e analoga aos seus habitos, deu-se a escrever para o theatro, e d’ahi tirou por mais de vinte annos os recursos para a sua parca sustentação, fazendo representar n’esse intervalo mais de duzentos dramas imitados, ou traduzidos de diversas linguas, entre elles alguns originaes, e uma immensidade de elogios dramaticos, genero que andava n'aquelle tempo muito em voga.

No principio de 1834 foi convidado para redigir a Chronica Constitucional de Lisboa, e desempenhou este encargo durante alguns mezes, se não me engano até que este jornal passou a intitular-se Gazeta Official do Governo. Ao menos é o que se collije da chistosa Elegia á morte da Chronica, que o sr. A. F. de Castilho publicou por esse tempo em separado, e que depois inseriu nas suas Escavações poeticas de pag. 173 a 180.

e

а

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